quarta-feira, 12 de setembro de 2007

SOBRE A CRIAÇÃO

Tudo começou em setembro de 2005, quando decidi fazer sacolas para vender. Nunca havia chegado perto de uma máquina de costura - a não a ser a da minha avó, atraída por aquele pedal largo, pesadíssimo, que eu embalava com as mãos, e que muito me castigou a ousadia. Sem emprego e esbanjando trabalho, olhei para a peça ainda recente num canto do quarto e tive um estalo. Era a máquina que minha mãe havia comprado e deixado de lado, após ensaiar alguma costura, alegando impaciência. Era a Bella empoeirada, que já me ajudou a compor mais de duzentas bolsas e ainda me acompanha. O princípio foi árduo. A primeira sacolinha, custou-nos vários testes. Foi preciso muito faz-desfaz para descobrirmos como deixar o fundo retangular. Depois de três horas, mamãe nos abandonou ao nosso próprio destino. Levou algumas semanas para eu acertar a sequência da linha e alguns meses para eu manter a costura em linha reta. As primeiras sacolas ficaram um mimo. Tinha bordado, tinha crochê e forro - para compensar a impossibilidade de um acabamento legal. Aliás, a dupla face foi adaptada aí. No começo era a contingência, pois a Bella é uma máquina para uso doméstico, e não tem recursos como overloque; depois, era a brincadeira de criar duas bolsas em uma. Máquina dominada, costura nem tanto, as sacolas agradaram. A idéia era continuar na mesma linha e só aperfeiçoar a técnica. Eu pensava em oferecer algo para carregar os livros, o guarda-chuva, as apostilas, tudo aquilo que costuma estufar a bolsa pequena que as mulheres geralmente usam para trabalhar, que não foi projetada para o segundo tempo na faculdade, no curso de idiomas, na academia. Mas as amigas clientes começaram a clamar por zíperes e bolsos, algo que lhes desse mais segurança para adotar as sacolas como bolsa principal, para o dia-a-dia. Consenti quanto aos bolsos e adotei os laços à guisa de fecho, para não ter que usar o zíper. Queria fazer algo diferente do convencional. Mesmo com as adaptações, a marcha das sacolas seria interrompida, depois do primeiro bornal. O bornal pasta foi um passo maior na evolução de Borná, que ainda não tinha esse nome. Cheia de boa vontade, a pedido do meu amor, compus uma peça linda, singela, ainda que capenga. O caminho não teve volta, e eu tive que aderir ao viés, literalmente. Ele exigia tampa e não comportava forro; pedia alças compridas, com ajuste. A intenção do trabalho ganhava forma. A tampa, os botões de coco, as alças largas, os bolsos, a cada hora de uma maneira, os detalhes em floral. Foi uma explosão de bornais pasta. Grandes, enormes. Foram tantos os desafios que os primeiros bornais impuseram, que, no final do ano, eu já tinha acumulado experiências para novos modelos. Depois conto mais...

2 comentários:

Ana Paula disse...

Amiga querida
É maravilhoso ver estas fotos e lê-la contar dessa sua trajetória que aos poucos vai se tornando cada vez mais vitoriosa! É um grande talento esta habilidade que desenvolveste...e ainda será muito mais reconhecida e valorizada. Grande beijo

keline disse...

Fico feliz e emocionada com a sua ousadia em iniciar uma coisa da qual não possuia nenhum dominio.Espero que sua coragem e determinação sirva de incentivo a muitas outras pessoas, inclusive a mim.Ah!Não falei o quanto são lindas as suas bolsas.Parabéns!
Um grande abraço.